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Cristiny On Line
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Mistério sem fim! |

Texto de Silvia Schmidt
Por Walcyr Carrasco
Mamãe defendia regras sólidas de educação. Em uma visita, se a dona da casa oferecesse café com bolo, não podia comer muito.
– Experimente só um pedacinho! – avisava mamãe.
Eu ficava de olho espichado para o doce enquanto a dona da casa insistia:
– Quer mais?
– Não, obrigado.
– Não gostou?
– Gostei, sim senhora!
Sentia o olhar materno faiscando. Aceitava mais um. Depois ouvia:
– Ela vai achar que você é fominha!
Havia regras excessivas. Mas hoje tenho a impressão de que boa parte das pessoas não aprendeu uma sequer. É comum estar conversando quando toca o celular da outra pessoa. Ela inicia um longo papo. Permaneço com cara de paisagem, enquanto a pessoa fala, fala, fala! Acho uma tremenda falta de gentileza.
Outra questão é a do horário em espetáculos. Muita gente acha normal atrasar. O ator Antônio Fagundes proíbe o ingresso depois das portas fechadas. Há quem fique revoltadíssimo. E quem foi pontual é obrigado a suportar o barulho do relapso entrando e procurando o lugar no escuro? Há algum tempo dei uma palestra em uma grande universidade. Durante todo o tempo os alunos entravam e saíam, batiam a porta,
faziam barulho. E me desconcentraram totalmente. Pensei: "Que falta de educação! E são universitários!". Na palestra seguinte, impus duas condições: atrasados não entravam, quem saísse não voltava. Virei o "chato". Ótimo. Melhor ser chato do que mandar flores e não receber nem um telefonema de agradecimento, como sempre me acontece. Já cansei de enviar buquês, bombons, panetones e não merecer nem um alô. Sou tonto. Imaginava alguma falha na entrega. Perguntava se a pessoa havia recebido, para ouvir:
- Ah, é, obrigado.
E o inconveniente que vê duas outras conversando? Senta-se na mesa e começa: Lembra-se de mim? Não pergunta se está interrompendo. Desfia a própria biografia sem
pausa para respirar. Finalmente, levanta-se:
– Estou indo. Vocês estão bem, não estão? Até mais. Parte após ter devorado o couvert!
Atores e produtores muitas vezes me encomendam peças teatrais. No início eu me entusiasmava. Agora só me sento ao computador se houver insistência. Muitos nunca mais tocam no assunto, mesmo que eu tenha trabalhado semanas em uma idéia. Já trabalhei como doido até em fim de semana para depois ouvir:
– Ainda não tive tempo de ler!
Em outras áreas, também vi vários casos de pessoas que dão o toque para um trabalho, o outro se entusiasma e às vezes não recebe nem um telefonema de volta. No cotidiano, a falta de educação é a regra: as pessoas furam fila descaradamente, deixam a porta do elevador fechar no meu nariz, não respondem a um "boa tarde" quando me sento no avião a seu lado. As boas maneiras têm sido esquecidas até no que se refere à vida financeira. Já emprestei dinheiro a amigos que não me pagam nem nunca mais fazem referência ao assunto. Fico sem jeito em falar de grana, mas acabo dando um toque tímido. E já ouvi:
– Não paguei porque você não está precisando.
Pode haver maior falta de cortesia? Não honra o compromisso e ainda dá a entender que nem tenho o direito de receber, como se eu fosse um pão-duro ávido por cada centavo? Reajo:
– Pensei que era um empréstimo, não um projeto de justiça social. O devedor fica mal-humorado e pára de falar comigo. É o cúmulo! Não é preciso ser formal, exagerado. Mas seria bem mais agradável ter de volta um pouco da antiga cortesia, e que as pessoas redescobrissem o valor da gentileza.




Amar é olhar para dentro de si mesmo, e dizer:
Eu quero
É viver intensamente
É sonhar com uma gota de realidade
e realizar uma gota desse sonho
É estar presente até na ausência.
Amar é ter em quem pensar
É razão que ninguém teria razão para nos tirar
É ser só de alguém e nunca deixar esse alguém só
É pensar em você tão alto a ponto de você escutar
Amar é ir até a morte
É acordar para a realidade do sonho
É vencer através do silêncio
É ser feliz até com um pouco quando muito não é bastante.
Amar é dar anistia ao seu coração
É sonhar o sonho de quem sonha com você
É sentir saudades
É chegar perto na distância.
Amar é a força da razão
É quando os momentos são eternos.
Amar é ser adulto e se sentir criança
É viver a vida em versos e ao inverso
É a maior experiência na vida de um homem...
Mas acima de tudo,
Amar é crer em Deus porque Deus é amor.
(desc. autoria)

JORNAL NACIONAL DO AMOR
Xico Sá
Ali nas primeiras horas da noite bate aquela necessidade física inadiável de contar como foi o dia. Contar e ao mesmo tempo receber notícias tuas. Seja um épico, um feito memorável, seja uma coisa à toa, um carro na poça que quase te molha todinha, um chato que te pegou para Cristo, um chefe maluco, os comentários sobre o tempo, ainda bem que choveu, meu bem, a noite está ótima para tomar um vinho, para dizer aquelas coisas que não se dizem para qualquer uma. Sobe a vinheta, sonoplastia, é o Jornal Nacional do Amor que começa agora, um dos momentos nobres de ter alguém na vida, conta lá que eu conto cá, e haja narrativas. Ter alguém para contar teu dia é melhor que sexo, melhor que férias, melhor que pizza aos domingos, melhor que lamber os beiços com petit-gateau na sobremesa, melhor que doce de leite, melhor que tudo na vida, é tão bom quanto peru de Natal e champanhe de réveillon, tão nobre como brinde nos primeiros jantares fora com aquela nossa nova promessa de felicidade.
Contar para um amigo é diferente, contar para um irmão é outra história, contar para a vizinha é roubada, contar só serve, amiga, se for à boquinha da noite, e se for para a mulher que habita, sem pagar prestações, sem aluguel ou fi ança, a Cohab ou o condomínio de luxo das nossas existências. O Jornal Nacional do Amor não tem mentiras de graça, somente mentiras sinceras, aquelas que melhoram as coisas, que levantam a bola, que restauram a lua-de-mel no auge, aquela lua-de-mel na praia, a rede na varanda, a boa safadeza depois de muito sol quente, o jantar repleto DO AMOR de beijos, aquele céu de Bilac, ora direis, aquela cachaça, sustança, e os lençóis de cambraia bordados, letras barrocas, “até que a morte vos separem”. Na alegria ou na tristeza, contar o dia é a melhor das artes de estar juntos. Do amor e suas leseiras incríveis, suas breguices, porque todo amor é brega, assim como todas as cartas amorosas são ridículas; só os cults e metidos não amam, não aprenderam nem mesmo com os brutos de Shane e de outros belos faroestes. Do amor, seu Sthendal, nós nunca enchemos a barriga. Uma fome de viver sem fim, um apetite devorador de todas as calorias; sem medo de gordurinhas ou outras possíveis frescuras. “Ai, amor, estou tão cansada, meio enjoada, acho que vou menstruar”, ela diz, bem linda, ainda na rua. “Você me agüenta mesmo assim?”, ela completa. No que o homem responde com um lindo plágio da Legião Urbana do Renato Russo: “Você me conta como foi seu dia/ E a gente diz um p’ro outro:/ – Estou com sono, vamos dormir!” Contar sempre, porque até nossos silêncios dentro de casa deixam ecos que viram legendas para sonhos coloridos e manhãs cheias de amor e pés sobre pés debaixo da mesa. Vamos gastar com decência e devoção o amor no auge, porque depois é depois e na vida tudo passa.
Não te envergonhes se, às vezes, os animais estejam mais próximos de ti do que as pessoas.
Eles também são teus irmãos.
São Francisco de Assis
Os animais foram criados pela mesma mão caridosa de Deus que nos criou...
É nosso dever protegê-los e promover o seu bem estar.
Madre Teresa de Calcutá


Final se semana frio e chuvoso aqui em Joinville, dia especial pra ficar em casa, na frente do pc, ou assistindo um bom filme comendo pipoca. Hoje acordei com vontade de criar no PSP e coloco aqui alguns dos meus trabalhos. Aproveito para agradecer as visitas e os tão bem vindos comentários que sempre me alegram. Tenhamos todos um ótimo final de semana.
MINHA MENINA

Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis "Cidade Poema"
Eis – me aqui linda princesa,
Contemplando o seu olhar,
Que com toda a certeza
Brilha mais do que as estrelas
Numa noite de luar!
Eis – me aqui musa encantada,
Num misto de amor e carinho
Seu atalho, sua estrada,
Seu regaço e seu ninho...
Eis – me aqui linda mulher,
Volúpia de amor e paixão,
Um homem que tanto sonha
Nesse mundo de ilusão.
Eis – me aqui linda menina,
Ternura do meu querer!
Forma doce e tão divina
E razão do meu viver...




CARINHO
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
Hoje eu quero o seu carinho
Como criança carente,
Quero seu colo quentinho,
Adormecer no seu ninho
Como um anjo inocente.
Quero toda mordomia,
O afago bem de perto,
Ser seu dengo predileto
Vivendo de fantasia.
Quero todas as manias
Tocando em mim com afeto.
Eu quero ser embalado
Na mais sublime canção,
Despojar-me em seu regaço
Refazer-me do cansaço
E ninar meu coração.
Link do autor
http://www.sardenbergpoesias.com.br/